Thursday, February 2, 2017

Trauma Dental


Seu pequeno estava brincando lá fora, como de costume, quando de repente você escuta um "aiiiiiiiiii"!!!! Coração vem para boca e a consciência fica lotada de pensamentos como: "será que ele quebrou o braço?" ou "será que cortou o pé?" ou ainda, "será que ele caiu e quebrou o dente?"

Você praticamente "voa" até onde ele/ela está e vê muitas lágrimas e muito sangue!


E agora?

Todo caso de traumatismo dental deve ser encarado como URGÊNCIA.
Não importa se a dentição é decídua (dentes de leite) ou permanente, pais tem por obrigação procurar um cirurgião-dentista para que essa criança não venha ser prejudicada em algumas funções básicas, como a estética, mastigação e fonética.

Caso a criança não receba a ajuda necessária rapidamente, ela poderá sofrer consequências a longo prazo, como infecções que requerem tratamento de canal, e até mesmo a perda desse dente. Se a procura profissional demorar 1 dia ou 2, as chance de tratamento de canal são bem maiores!

Daí você chega a pensar "Qualquer coisa o dentista arranca o dente quebrado para fora". Essa é uma péssima idéia! Dentes de leite ajudam na mastigação, na aparência e na fala. Além disso, trabalham como mantenedores de espaço para que o seu permanente sucessor possa nascer. Caso houver perda precoce (antes da hora certa), é bem provável o tratamento ortodôntico no futuro. São poucas as crianças que gostam de usar aparelho, não é mesmo? Sem contar com o gasto financeira e listas de espera no atendimentos públicos.

Atualmente, é alto o número de crianças menores de 3 anos vítimas de traumatismos dentais. Existe pouco interesse por parte dos pais em cuidar da condição dental de seus filhos nessa idade. A idéia que esses dentes são "de leite" traz uma certa irresponsabilidade na supervisão e ajuda na escovação, incluindo a resposta correta frente aos traumatismos. Não seja um pai/mãe irresponsável.

DENTES DE LEITE TAMBÉM SÃO IMPORTANTES!

E os traumas em dentes permanentes? Eles têm igual importância, conforme o nome já diz, devem permanecer para toda vida! Crianças na faixa etária entre 6-10 anos têm os incisivos centrais superiores (aqueles bem na frente na maxila) como os mais afetados pelo trauma principal, seguidos dos incisivos laterais, os dentes ao lado dos centrais. Faça questão em dar uma olhadinha nessa região!


A Estrutura Dental


É interessante entendermos a estrutura do nosso dente. Temos a coroa e a raiz, parte visível para fora da gengiva e parte firmada no osso, respectivamente. Ele é formado de esmalte, dentina e polpa. O esmalte é a parte mais mineralizada e dura do dente. Abaixo dele encontramos a dentina, menos mineralizada, contendo canais minúsculos que se comunicam com o esmalte e a polpa. A polpa é o espaço onde estão vasos sanguíneos e também nervos. Aí a razão de dor quando a cárie ou fratura dental é mais profunda. Esses canais servem como abertura até os nervos. Estímulos externos, como o frio, calor e doces também, fazem o dentinho gritar "aiiiii!"
Ao redor do dente encontramos os ligamentos periodontais, que servem como ligamento entre o dente e osso. Temos também o próprio osso e gengivas dentais.

Voltando a falar sobre o trauma dental, considere as seguintes perguntas:
Onde o ferimento aconteceu?
É importante entender a influência do local onde houve o corte. Onde a criança caiu? É preciso compartilhar essa informação ao profissional da saúde e seguir as recomendações sobre a profilaxia antibiótica e anti-tetânica.

Como ele aconteceu?
Quedas que afetam o queixo podem indicar fratura nos dentes premolares e molares (aqueles mais para trás). Essas fraturas são tratáveis por contenção. O dentinho será mantido aos seus vizinhos por um fio de metal. Não se preocupe, seu dentista fará esse procedimento.

Existe algum sinal de inconsciência?
Falta de consciência pode ser acompanhada por náusea, vômito, letargia (criança se torna desanimada, sem reagir como normalmente faz). Outro sinal a ser observado é dilatação da pupila. Vá até um lugar bem iluminado, olhe nos olhos da criança e veja se aquele círculo escuro está cobrindo boa parte da cor dos olhos.


Alguma alternação na mordida (oclusão)?
Observe se o dente está "mais para fora",  um termo que nós dentistas chamamos de "extruídos". Caso a criança não consiga morder adequadamente, é provável que o dentista reposicione esse dentinho, após limpeza do local e dependendo da situação, de anestesia local.

Ele/ela sente muita dor quando o dente é exposto ao quente ou frio?
Existem fraturas na coroa e também de raiz. As fraturas podem ter diferentes profundidades. Ela pode se extender até a dentina ou mesmo a polpa.Se atingiu a dentina, a resposta de dor é maior aos estímulos externos.



E SE O DENTE SAIU PARA FORA DO BURACO??? 

O termo correto é avulsão dental. Após o impacto, o dente sai do seu alvéolo, causando a ruptura dos ligamentos, nervos e vasos que estavam conectados ao osso.


O que fazer?

Avulsão de dente de leite: corre para o dentista! Provavelmente ele não será reinserido em sua posição, contudo o exame odontológico é necessário para avaliar a saúde do dente permanente, que está dentro do osso.

Avulsão de dente permanente: segure-o pela COROA e lave-o por 10 segundos em água corrente. Não toque na raiz! Logo após lavagem, reposicione-o dentro do alvéolo e peça para criança fechar a boca, para manter ele na posição.

Se vc não tiver como reposicionar o dente, peça para a criança manter-lo na boca, entre os dentes de trás e as bochechas. A saliva é a solução ideal para posterior reimplantação. Seu filho é muito pequeno? Existe a possibilidade de deglutição do dente? Pegue uma caixinha e preencha com soro fisiológico ou leite, ou mesmo a própria saliva do seu filho.

Agora é hora de CORRER para o dentista!


A consulta

Logo no início, seu dentista de confiança irá fazer o possível para acalmar você e seu filhote.

Algumas perguntas virão, como onde o trauma ocorreu, sobre a saúde geral e possíveis alergias, tabela de vacinação, etc. Após isso, ele irá limpar a região para melhor visualização da face e também da boca internamente.

O exame clínico segue primeiramente com a inspeção da face, lábios, músculos orais, tecidos moles. Depois com a palpação dos ossos faciais afim de diagnosticar possíveis fraturas.

A área do trauma é então cuidadosamente examinada, observando a posição do dente e possíveis fraturas, movimentos e dor ao teste de percussão (com o cabo do espelho, faz-se pequenos impactos contra o dente para se obter uma resposta dolorosa ou não).

Os testes pulpares são exames feitos somente em dentes permanentes. Eles mostram a condição da polpa, com o intuito de sabe se ela está viva.

Exames radiográficos são aquelas "fotos" com filmes de imagem preta e branca. Os filmes usados são diferentes, no entanto o mais comum são os periapicais e oclusais. O objetivo é observar a condição do dente decíduos, permanentes, e seus vizinhos, assim como dos tecidos duros e moles na área, como os lábios. Será que uma porção do dente ficou presa dentro do lábio? A radiografia dará a resposta.

Os dentes decíduos sofrem com o impacto do trauma resultando em:
- hemorragia interna: o sangue na polpa extravasa entre os espaços dentro do dente via dentina e causa alteração na cor da coroa dental;
- necrose pulpar: a polpa do dente traumatizado não sobrevive, resultando em infecção;
- reabsorção interna ou externa: próprio dente sofre reabsorção em diferentes áreas;
- reabsorção da raiz e substituição por osso: na tentativa de reparo do nosso próprio corpo ao machucado, há uma mineralização da área;
- anquilose: quando o dente se junta ao osso, dificultando a exfoliação (processo onde o dente de leite cae para que o permanente possa erupcionar).





Dentes permanentes dentro do osso também sofrem consequências. Se o trauma aconteceu em crianças de 0-2 anos, elas terão 63% de chance de apresentarem problemas nos permanentes. Já as de 3-4 anos terão 53% de chance!


- problemas na erupção: dente se confunde e nasce na hora errada;

- hipomineralização do esmalte: coroa com formato normal e cor mais esbranquiçada ou marrom-amarelada, devido ao defeito no processo de mineralização do esmalte;

- hipoplasia do esmalte: coroa tem formato anormal. A mineralização é fraca, resultando formações de sulcos, depressões, e outros defeitos;

- dilaceração, duplicação e/ou paralização da formação da raiz: dente não é completamente formado, ou tem formação anormal;

- etc!


Após exame clínico e radiográfico, teremos possíveis diagnósticos:


1 - Traumatismos aos tecidos dentais mineralizados e polpa

São as trincas/fraturas superficiais ou profundas, afetando ou não tecido pulpar.

As trincas são mais superficiais. Envolvem somente o esmalte e não precisam de tratamento, mas só acompanhamento periódico.

Já as fraturas devem ser avaliadas com mais critério. Se envolveu somente esmalte e dentina e existe a possibilidade de colagem do fragmento fraturado, essa será uma opção. Caso não tenha o pedaço quebrado salvo, o dentista fará uso de materiais restauradores.

Caso a fratura vá até a polpa, o tratamento é direcionado para que ela sobreviva, através de medicações específicas, porém se a procura ao dentista se atrase em mais de 24h, o tratamento de canal será a provável opção.

2 - Traumatismos aos tecidos dentais, polpa e processo alveolar

Além de lesar o dente, essas fraturas podem lesar tecido ósseo ao redor do dente. A fratura de coroa e raiz ocorre com frequência nos dentes da frente.

Na fratura onde o dente é separado, sem possibilidade de restaurá-lo, o tratamento será a extração cirúrgica. São raros os casos, contudo existem profissionais que optam em salvar o remanescente através do tratamento de canal e restauração.

Na fratura de raiz podemos ver o dente ainda firme, não necessitando de tratamento, somente acompanhamento, enquanto o dente com deslocamento, deverá ser extraído. Se o dente é permanente e se encontra móvel, o tratamento será de esplintagem (fio de metal irá mantê-lo em posição, interligando-o aos seus vizinhos).

Quando o osso alveolar é quebrado, todo segmento traumatizado se move como uma só unidade. É bastante comum a dificuldade para "encaixar" os dentes na mordida. A razão é o deslocamento de diversos dentes.

3 - Traumatismos aos tecidos periodontais
São chamados de LUXAÇÕES. Associados ou não a uma fratura.

Tipos de luxações:
- Concussão: sem alteração aparente. O dente está normal, mas existe dor. Tratamento é de acompanhamento periódico de até 8 semanas em dentes decíduos e 1 ano nos permanentes.
- Subluxação: pode ter mobilidade, sangramento pelo sulco gengival e dor na mastigação. Em dentes de leite faz-se o acompanhamento periódico de até 8 semanas e nos permanentes a esplintagem por 2 semanas e controles periódicos até 1 ano após o ocorrido.
- Intrusão: dente foi forçado para dentro do alvéolo. Não se move. Essa luxação tem consequências maiores ao dente permanente sucessor. Controle em até 4 semanas. Caso ele não venha a cair, faz-se a extração cirúrgica. Nos dentes permanentes com intrusão, o tratamento é com esplintagem por 4 semanas e controles de até 5 anos.
- Extrusão: parte do dente saiu do seu espaço e apresenta bastante mobilidade! Dentes de leite serão reposicionados e acompanhados por até 1 ano após o trauma. Existe chance de extração cirúrgica futura. A extrusão no dente permanente é reposicionada e firmada com esplintagem por 2 semanas. Controle periódico segue por até 5 anos.
- Luxação Lateral: quando o dente foi empurrado para outros lados. Normalmente para frente ou para trás, mas agora sem nenhuma movimentação, mas com grande chance de afetar o permanente.Se o deslocamento for severo, faz-se a extração. Se não, reposiciona e observa até 1 ano. Esplintagem por 4 semanas em dentes permanentes.
- Avulsão: dente está completamente fora do alvéolo. Esse espaço será preenchido com sangue coagulado (firme e escuro). Não se reposiciona o dente de leite. Haverá controle periódico até 6 meses e depois a cada ano até que o dente permanente venha nascer. A avulsão de dentes permanentes devem ser tratadas o mais rápido possível. O prognóstico dependerá de quando a criança chegou ao dentista e qual fase de formação o dente se encontra.

Recomendações Gerais
A alimentação deve ser pastosa por até 14 dias após o trauma.

A higiene oral é fundamental para que não ocorra infecção. Sempre escove ou supervisione a escovação dos dentes do seu filho. Crianças até 6 anos devem receber ajuda! Controle o hábito de sucção digital (chupar o dedo) e uso de chupetas também devem ser realizados.


É importante entender que, por razões já descritas, o dente envolvido no trauma poderá apresentar alteração na cor. É comum que a coroa escureça. Edemas na região e até fístulas são respostas frequentes. As fístulas são como bolinhas na gengiva que expulsam o líquido infeccioso. Caso a dente esteja infeccionado, com formação de fístula, a criança pode comentar sobre um gosto metálico na boca!

Caso algumas dessas alterações aconteçam, relate diretamente ao dentista.

Obrigada pela leitura e lembre-se: dente do seu filho foi traumatizado? Corra para o dentista! :)













Friday, October 21, 2016

O que é Sapinho?

Você sabia que no nosso corpo existem vários fungos e bactérias? Verdade. Eles são poucos, mas são totalmente normais.

Alguns desses são chamados de Candida albicans, e estão na pele, dentro da boca e também nos lugares onde a comida que comemos irá passar, o chamado trato digestivo.

Eles devem ficar sempre em harmonia, ou seja, não podem multiplicar! Agora você se pergunta: mas quando que se multiplicam? Quando, por alguma razão, nossa defesa (sistema imunológico) está fraco. 

O QUE É?

A imensa maioria dos casos de sapinho é provocada pelo fungo Candida albicans, mas outras espécies de cândida também podem ser as responsáveis, como Candida glabrataCandida krusei ou Candida lusitaniae.

ONDE?

Quando esses microorganismos se multiplicam, eles podem se manifestar na pele como coceira, descamação, vermelhidão. Se isso acontece na boca, serão formadas placas brancas ou amareladas, parecendo aquele queijo chamado ricota. Essa doença, a Candidíase Oralafeta a língua, o céu da boca (palato), parte de dentro das bochechas, gengivas ou até as amígdalas. As lesões podem ser pequenininhas e sem dor, mas com o tempo aumentam e também a dor aparece. Quem tem essa doença pode relatar a sensação como de ter um algodão na boca! 

O diagnóstico da Candidíase Oral é simples. A aparência da lesão é típica e a história do paciente mostra a presença de outra doença associada, como por exemplo, um resfriado.

NÃO CONFUNDA!

Nos bebês, a lesão da candidíase pode ser confundida pelas mamães com restos de leite. Na verdade, o leite desaparece depois de algum tempo e ao se passar uma gaze na língua, ele sai facilmente. Já na candidíase, quando se tenta raspar essas placas, pode haver sangramentos, já que a mucosa está ferida. 

EVOLUÇÃO

Em casos mais complicados, a candidíase pode se extender para a laringe e/ou esôfago, provocando sintomas como rouquidão e dor/dificuldade para engolir os alimentos. A candidíase do esôfago é geralmente um sinal de alerta! O sistema imunológico da criança está muito baixo!

TRATAMENTO

O principal tratamento do sapinho é a aplicação de medicamentos antifúngicos diretamente sobre a região, como por exemplo, a pomada nistatina. No entanto, se o sapinho se estendeu para outras partes do corpo, será necessário um tratamento com antifúngico por via oral, ou seja, um medicamento tomado pela boca.

Outras maneiras mais naturais também podem ajudar. O uso de vinagre branco pode servir como desinfetante dos brinquedos e mordedores. A violeta genciana também é uma opção. Converse com seu Pediatra para maiores informações, pois o seu uso deve ser cuidadoso.

Lembre-se que as chupetas e mamadeiras devem ser colocadas na água fervente por 20 minutos para esterilização, limitando a re-contaminação. 

PREVENÇÃO

É bastante comum o aparecimento dessa alteração ao final do tratamento com antibióticos. Isso acontece porque as bactérias que moram dentro da boca fazem o trabalho de manter a Cândida em seu lugar e juntos, dividem o mesmo espaço, não permitindo que a outra se prolifere. 

Quando a criança toma o antibiótico (e nós também), boa parte dessas bactérias "protetoras" são mortas, deixando a Cândida fazer a festa. Elas crescem e podem ocasionar a candidíase oral, ou seja, o sapinho. Por isso, é importante prestar atenção quando seu filho precisa tomar esse tipo de medicamento. 

A rotina de prevenção deve ser sempre seguida: 
- escovar bem os dentinhos e gengivas quando seu filho acordar, após refeições e antes de dormir
- limpe os brinquedos e mordedores com detergente neutro ou mesmo o vinagre branco ao final do dia
- manter a dieta da criança cheia de vitaminas e proteínas, com variedades de frutas e legumes
- limite a ingestão de doces, pois o açúcar afeta o sistema imunológico do seu filho
- um bom sono também traz descanso e auxilia no sistema imunológico.